Talk de Midas Pharma · Quem responde pelo palco

Como pedir a um médico renomado que se prepare melhor

Tratando o preparo como escopo do evento. O pedido acontece no convite, ao lado de data, sala e tempo de fala. Abre pelo dado curricular, porque nenhum dos 20 melhores cursos de medicina do Brasil tem disciplina obrigatória de oratória. Combina o instrumento antes e deixa o ajuste técnico com um terceiro, de fora da relação.

Ver os cinco passos
Por que a conversa trava

Responsabilidade sobre um palco de gente que não responde a você.

O Medical Director e o KOL Manager respondem pela qualidade de um simpósio inteiro. Os porta-vozes desse simpósio são médicos externos, com frequência mais velhos e mais titulados, que aceitaram o convite por convicção e por relação. A responsabilidade pelo resultado é sua, e a linha de comando sobre quem entrega esse resultado termina fora da sua empresa.

Nesse desenho, pedir preparo parece atravessar uma linha que ninguém escreveu. A pergunta que aparece antes de qualquer frase costuma ser a mesma: quem sou eu para dizer a ele como falar.

A linha existe porque o assunto foi parar no terreno errado. Enquanto o preparo for lido como avaliação da pessoa, quem convida não tem mandato. Movido para o terreno do evento, ele volta a ser o que sempre foi: escopo de produção, do mesmo tipo que o tempo de fala e a ordem das mesas.

A cortesia institucional protege a todos, e o preço dela é o problema ficar sem nome dentro da própria empresa.

O passo a passo

Cinco passos para pedir preparo sem gastar a relação.

A ordem importa. Os dois primeiros passos acontecem antes de existir apresentação, que é o momento em que a conversa custa menos.

  1. Ponha o preparo dentro do escopo do convite. O pedido acontece no convite, ao lado da data, da sala e do tempo de fala. Assim ele chega como condição de formato, e a conversa acontece antes de existir uma apresentação para julgar.
  2. Abra pelo dado do currículo. Nenhum dos 20 melhores cursos de medicina do Brasil tem disciplina obrigatória de oratória. Com o dado na mesa, o assunto passa a ser uma lacuna de formação documentada no topo do ranking brasileiro, com fonte e data para conferir. O assunto deixa de ser uma leitura sobre ele.
  3. Nomeie quem ganha com o preparo: o conteúdo dele. O material que ele leva ao palco costuma ser resultado de anos de trabalho clínico ou de pesquisa. O preparo existe para que esse material chegue inteiro à plateia dentro do tempo disponível. O beneficiário declarado é a obra dele.
  4. Combine o instrumento antes do evento. Defina com ele, por escrito, o que vai ser observado e devolvido depois: retenção da mensagem central, tempo cumprido, perguntas geradas. Com instrumento combinado na frente, a devolutiva chega como leitura de um critério que os dois aceitaram.
  5. Ponha um terceiro na mesa técnica. Quem devolve o ajuste técnico vem de fora da relação institucional. Você segue como anfitrião do evento e o ajuste fica com quem tem esse ofício, o que preserva a relação de longo prazo com o KOL.
O efeito de mover o assunto de terreno

Três coisas mudam quando o preparo vira escopo.

Para o KOL

O convite fica completo

Ele recebe data, sala, tempo, formato e preparo no mesmo pacote. A informação chega antes de qualquer julgamento sobre desempenho, e ele decide com o quadro inteiro na frente.

Condição de formato, ao lado da data e do tempo
Para você

O mandato aparece

Quem desenha o evento tem autoridade plena sobre o desenho do evento. O pedido passa a nascer de um lugar que existe no organograma, e a pergunta sobre legitimidade some do caminho.

Autoridade de produção, sobre o desenho do evento
Para a área

O trabalho fica visível

Com instrumento combinado, existe um antes e um depois registrados. O preparo deixa rastro documental, e o rastro serve para a conversa do ciclo seguinte.

Prova, com data e critério
Perguntas

O que costumam perguntar sobre essa conversa.

Como pedir a um médico renomado que se prepare melhor?

Tratando o preparo como escopo do evento e conversando no momento do convite, junto com data, sala e tempo de fala. O pedido ganha lastro quando abre pelo dado curricular: nenhum dos 20 melhores cursos de medicina do Brasil tem disciplina obrigatória de oratória. Combine antes o que vai ser observado e deixe o ajuste técnico com um terceiro, de fora da relação.

É falta de respeito propor treinamento a um professor titular?

A proposta ganha ou perde o respeito na formulação. Preparo oferecido como serviço ao conteúdo dele, dentro do desenho do evento e com o dado da formação na mesa, trata o titular como autor de um material que merece chegar inteiro. Preparo oferecido como correção de desempenho pessoal entra em um terreno onde ninguém tem mandato.

Como dar feedback a alguém mais sênior que você?

Combinando o critério antes e devolvendo o critério depois. Sem instrumento combinado, qualquer devolutiva vira opinião de quem assistiu, e a diferença de senioridade decide a conversa. Com instrumento combinado, a devolutiva é a leitura de um acordo, e a senioridade sai da equação.

Quem deveria conduzir o preparo de um KOL?

A mesa técnica consome capital da relação institucional, e quem convida, patrocina e coordena precisa dessa relação viva por anos. Por isso a devolutiva técnica e a hospitalidade costumam ficar em mãos diferentes.

E se ele responder que não tem agenda?

A agenda é a restrição real do médico externo, e ela entra no desenho. Preparo dimensionado em blocos curtos, feito sobre o material que ele já tem, cabe onde uma agenda clínica permite. Quando o formato ignora essa restrição, a recusa chega pela agenda mesmo quando a razão é outra.

O estudo

O dado que tira o preparo do terreno pessoal.

Vinte matrizes curriculares lidas na fonte oficial, com a metodologia declarada e a data de coleta por universidade. É a peça que cabe em um convite.

Ler o estudo completo
Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.