Talk de Midas Pharma · A dose do trabalho

Treinamento de um dia funciona?

Um dia decide. A repetição constrói. Em um dia de trabalho dá para reconstruir o roteiro de uma apresentação inteira, definir a abertura, executar o corte que o tempo exige e refazer o material visual sobre a estrutura nova. Repertório de palco se forma com o tempo, diante de plateia real, e nenhum formato curto substitui isso. A dúvida legítima do decisor tem resposta em escopo declarado.

Ver o que um dia decide
Três decisões que cabem em um dia

O que sai pronto quando o sol se põe.

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A estrutura, escrita

O percurso da fala cabe em uma folha: o que abre, a ordem em que a evidência entra, o que fica em reserva para a discussão e a pergunta que a plateia leva embora. Escrita, ela sobrevive ao dia e serve de molde para a próxima apresentação.

Decisão registrada é decisão que dura
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O corte, executado

A parte mais difícil de qualquer apresentação técnica é o que sai. Com o destino definido, o critério de corte deixa de ser preferência e vira consequência, e a fala passa a caber no tempo sem perder o que sustenta o argumento.

Quem corta sozinho na pressa corta o que não devia
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O material, reconstruído

Com o roteiro decidido, o slide muda de função e passa a somar à fala. O participante termina o dia com a apresentação em mãos.

O entregável é a apresentação pronta
A fronteira, por escrito

O que um dia deixa para o tempo.

Nós preferimos escrever a fronteira antes de qualquer conversa comercial, porque a objeção do decisor costuma ser justa. Um dia de trabalho tem limites, e eles são previsíveis.

Repertório de palco não se forma em um dia. A desenvoltura de quem já apresentou dezenas de vezes vem de exposição repetida, com plateias diferentes e situações que ninguém consegue simular numa sala. O dia dá um método para chegar preparado a cada uma dessas ocasiões, e a curva de desenvoltura continua sendo do tempo.

Hábito arraigado resiste. Quem lê slide há quinze anos vai sentir a mão puxar para o mesmo lugar na próxima vez. A estrutura escrita reduz a recaída porque tira a razão que sustentava o hábito, e ainda assim a primeira apresentação depois do trabalho pede atenção deliberada.

Ansiedade clínica é outro assunto. Quando o medo de falar em público atinge um grau que atrapalha a vida profissional, o caminho passa por acompanhamento adequado. Sobre isso escrevemos em glossofobia tem cura.

Um dia resolve o que é decisão. O resto é repetição, e ela tem o próprio calendário.

A outra pergunta de formato

Presencial ou online para preparar um palestrante?

Parte do trabalho Online Presencial
Roteiro e corte preserva quase tudo, porque o objeto é o texto e a estrutura equivalente
Reconstrução do material funciona bem, com a tela compartilhada equivalente, com ganho de troca entre pares
Corpo, espaço e presença alcance limitado pelo enquadramento da câmera é onde o presencial abre vantagem clara
Agenda e dispersão geográfica resolve times espalhados e janelas curtas exige bloco de agenda e deslocamento
Energia do grupo depende de desenho ativo para não virar aula a sala trabalha a favor

O critério prático. Quando o problema é de conteúdo, a diferença entre as duas modalidades é pequena e o online costuma ser a escolha sensata. Quando o problema é de palco, o presencial ganha. A conversa inicial serve exatamente para descobrir qual dos dois é o seu caso antes de qualquer decisão de formato.

O previsor honesto

A duração sozinha prevê pouco.

A mudança acompanha o alvo do trabalho mais do que a duração dele. Um dia com objeto concreto e um programa longo com objeto concreto rendem, e a duração sozinha é uma variável fraca. Três outras preveem melhor o que vai sair do trabalho.

  • O objeto é real. Trabalhar sobre a apresentação que existe, com data marcada
  • O corte acontece dentro da sessão. Decisão adiada é decisão que volta para a véspera do evento
  • Existe um ponto de retorno. Uma passagem de acompanhamento antes do evento seguinte segura o ganho
Perguntas

O que costumam perguntar.

Treinamento de um dia funciona?

Funciona para decidir, e a decisão é a parte que costuma estar travada. Em um dia dá para reconstruir o roteiro de uma apresentação inteira, definir a abertura, cortar o que não cabe no tempo e refazer o material visual sobre a estrutura nova. O que um dia não faz é construir repertório de palco, que se forma com repetição diante de plateia real ao longo do tempo.

Por que um dia seria suficiente se cursos levam meses?

Porque o objeto é diferente. Um curso longo forma um repertório geral de comunicação, com prática distribuída, e isso realmente leva tempo. Um dia de trabalho tem um alvo único: a apresentação concreta que a pessoa tem pela frente. O escopo estreito é o que permite terminar o dia com um entregável pronto.

O que exatamente sai pronto no fim do dia?

A estrutura da fala escrita em uma folha, com a abertura definida e o corte já feito. O material visual reconstruído sobre essa estrutura. E pelo menos uma passagem em pé, com devolutiva sobre o que já funciona e sobre o que a pessoa precisa vigiar. O participante sai com a apresentação pronta em mãos.

E se a pessoa voltar aos velhos hábitos depois?

É um risco real, e ele existe em qualquer formato. O que reduz a recaída é ter a estrutura escrita: ela sobrevive ao dia e serve de molde para a apresentação seguinte. Para times que apresentam com frequência, faz sentido combinar o dia de trabalho com pontos de acompanhamento antes dos eventos seguintes.

Presencial ou online: qual funciona melhor?

Os dois funcionam, e a escolha depende de onde está a dificuldade. O online preserva a maior parte do trabalho de roteiro e de material, e ele resolve dispersão geográfica e agenda fragmentada. O presencial ganha na parte de palco: a leitura corporal, a ocupação do espaço e a energia da sala aparecem melhor quando as pessoas estão juntas. Quando o problema é de conteúdo, a diferença entre os dois é pequena.

Dá para fazer com um grupo grande de médicos?

Dá, e o desenho muda com o tamanho. Grupos maiores ganham em troca entre pares, e o teto de participantes por dia vem da devolutiva individual, que não se abre mão: grupos maiores pedem mais de uma data ou parte do trabalho feita antes da sala. O número de participantes é uma das variáveis que definem o desenho, e ele se decide na conversa inicial.

A conversa

A dose certa se decide olhando o seu calendário.

A Anamnese Estratégica é uma conversa de trinta minutos sobre os eventos que você tem pela frente e sobre quem precisa estar pronto para eles. O desenho sai dessa conversa, com o formato dimensionado pelo que existe de verdade na sua agenda.

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Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.