Talk de Midas Pharma · A crença de origem

“Sou tímido, dá para ser palestrante?” O preparo que respeita a energia

O temperamento muda o custo de energia e o desenho do preparo. Na preparação de porta-vozes médicos, ele convive com desempenho alto em palco. O que a plateia lê como presença vem de estrutura clara, tempo respeitado e um começo bem escolhido, e o gasto maior de quem é introvertido costuma acontecer fora do palco.

Ver o orçamento de energia de um congresso
Onde a energia realmente sai

Em um congresso, o palco é o trecho mais protegido do dia.

Um dia de simpósio tem muito mais coisa do que os quinze minutos de fala. Tem credenciamento, café com desconhecidos, corredor com convites de conversa, almoço em mesa aberta, sessão de perguntas informais e, com frequência, jantar.

O palco tem uma qualidade que nenhuma dessas partes tem: ele é previsível. Quem sobe sabe quanto tempo tem, sobre o que vai falar, em que ordem e com qual material. A improvisação social do corredor pede o contrário disso, minuto a minuto.

Preparando porta-vozes médicos, quando pedimos ao palestrante introvertido que aponte o trecho mais caro do dia, ele raramente aponta a fala. Ele aponta as três horas antes dela. O que segue é observação de prática, sem levantamento estatístico por trás.

A descrição que mais se repete aponta para o cansaço de chegar, e para o palco como o trecho fácil do dia, porque nele a pessoa sabe o que vai acontecer.

Um preparo que trata o dia inteiro como orçamento chega ao palco com saldo. É a diferença mais visível entre dois palestrantes de mesma competência.

O inventário do temperamento

O que o temperamento muda, e onde ele joga a favor.

Muda

O custo e o desenho do preparo

O gasto de energia se concentra nas partes sociais do evento. O preparo eficiente protege as horas anteriores à fala, reduz compromissos abertos no mesmo dia e programa um intervalo de recuperação depois.

Administra-se com agenda
Fica igual

O que a plateia observa

Recorte de conteúdo, ordem dos blocos, abertura, tempo por bloco e função dos slides. As cinco decisões se tomam em mesa, e a mesa é o ambiente em que a pessoa introvertida costuma render mais.

Decidido antes, por qualquer um
Joga a favor

Três vantagens observáveis

A profundidade do preparo, porque o material é revisado mais vezes. A escuta, que melhora o bloco de perguntas. E a conversa individual depois da fala, onde boa parte das relações profissionais de um congresso se forma.

Ativo, e costuma passar despercebido
O preparo por orçamento de energia

Quatro decisões que protegem o saldo até o palco.

As quatro decisões abaixo saem da observação de prática na preparação de porta-vozes médicos, e valem como observação. Elas tratam do dia do evento, e a peça de estrutura da fala está linkada no fim.

A sala antes da sala

Chegar ao auditório vazio, subir ao palco, medir a distância até a primeira fileira, testar o clicker e ver de onde a luz vem. Quinze minutos de reconhecimento retiram uma dezena de variáveis do momento da fala, e todas elas custariam energia depois.

O corredor com hora marcada

Escolher três conversas que importam e agendá-las, em vez de deixar o corredor abrir todas ao mesmo tempo. As três acontecem, o resto fica disponível, e o gasto passa a ser escolhido.

A hora anterior protegida

Sessenta minutos sem compromisso social antes da fala, com o mapa de blocos na mão e uma passada nas transições. É a decisão de agenda que mais aparece nos relatos de quem melhorou o próprio desempenho sem mudar o material.

A recuperação programada

O depois também é parte do preparo. Quem sai do palco direto para um almoço em mesa de doze pessoas paga por isso na segunda fala do congresso. Trinta minutos de silêncio entre um compromisso e outro devolvem saldo para o restante do dia.

A outra metade do trabalho está no material, e ela vale para qualquer temperamento. As cinco decisões que a plateia lê como presença estão detalhadas aqui.

Perguntas

O que costumam perguntar sobre temperamento e palco.

Médico tímido consegue dar palestra?

Consegue, e na preparação de porta-vozes vemos isso com regularidade. O temperamento muda o custo de energia e o desenho do preparo, e convive com desempenho alto em palco. O que a plateia lê como presença vem de estrutura clara, tempo respeitado e um começo bem escolhido, e essas são decisões tomadas antes da sala.

O que exatamente a timidez muda na preparação?

Muda o orçamento de energia. A pessoa introvertida costuma gastar mais nas partes sociais do evento, que são o credenciamento, o café, o corredor e o jantar, e menos nos quinze minutos de palco, que são estruturados. Preparar com isso em conta significa proteger a energia antes da fala e programar recuperação depois.

Onde o temperamento introvertido joga a favor no palco?

Em três lugares observáveis: a profundidade do preparo, porque a pessoa costuma revisar mais o material; a escuta, que melhora o bloco de perguntas; e a conversa individual depois, que é onde boa parte das relações profissionais de um congresso se forma.

Preciso me forçar a ser mais social durante o evento?

O gasto social do dia é orçamento, e orçamento se administra. Escolher três conversas e agendá-las rende mais do que deixar o corredor abrir todas ao mesmo tempo, e protege a hora anterior à fala. Cada palestrante chega ao palco com uma rotina de ensaio própria, e a rotina de quem é introvertido costuma ter mais silêncio dentro dela.

O estudo

A grade deixou essa aula de fora para todo mundo, de qualquer temperamento.

Vinte currículos de medicina lidos na fonte oficial de cada universidade, com metodologia e datas de coleta declaradas.

Ler o estudo completo
Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.