Talk de Midas Pharma · A crença de origem

“Não tenho carisma”: o que a plateia lê como carisma

Carisma é o nome que a plateia dá ao conjunto depois que ele funciona. Preparando porta-vozes médicos, o que produz o efeito são cinco decisões observáveis: como a fala começa, o que entra e o que sai, quanto tempo cada bloco recebe, para onde vai o olho e qual a função de cada slide. Todas se tomam antes da sala.

Ver as cinco decisões
A palavra e o que ela cobre

A palavra chega depois do resultado, e leva o crédito inteiro.

Quando uma apresentação prende, a plateia sai da sala com uma explicação pronta na ponta da língua: aquela pessoa tem carisma. A explicação é econômica, cabe em uma palavra e dispensa o exame do que aconteceu ali.

Para quem assistiu, a economia sai barata. Para quem vai apresentar na semana seguinte, ela sai cara: transforma um resultado em um atributo, e atributo se tem ou se lamenta.

Vale desmontar o efeito. Preparando porta-vozes médicos, quando pedimos à plateia que descreva o que exatamente prendeu a atenção, as respostas convergem para um conjunto pequeno de coisas concretas. O que segue é observação de prática, e vale como observação.

A descrição costuma vir com a mesma forma: a pessoa entrou direto no caso, disse a que veio em uma frase, e o tempo dela sobrou.

Cada item dessa descrição é uma decisão que alguém tomou em uma mesa, com o material aberto, dias antes da sala.

O que se decide antes da sala

Cinco decisões que a plateia lê como carisma.

01 A primeira frase

Na preparação de porta-vozes médicos, o trecho que mais decide o resto da fala são os trinta segundos iniciais. Uma fala que abre por nome, instituição, agradecimentos e sumário gasta esse intervalo em formalidade e passa o resto tentando recuperar terreno.

A abertura é escolhida
02 O recorte

Quinze minutos de fala recebendo material de trinta produzem aceleração, e a aceleração consome a atenção que iria para o argumento. A plateia registra isso como nervosismo. A origem é aritmética.

O que sai vale o que entra
03 O tempo por bloco

Uma fala com tempo distribuído chega ao fim com folga, e a folga aparece no corpo de quem fala. A plateia lê tranquilidade. Por trás dela existe uma planilha simples de minutos por bloco, feita antes.

Folga é preparo visível
04 O olho

Quem depende do slide olha para trás. Quem conhece a própria estrutura olha para a sala. A direção do olhar é consequência de onde a memória da fala está guardada, e essa é uma decisão de preparo.

O olhar segue a memória
05 A função do slide

Slide que repete a fala faz a plateia ler e parar de ouvir. Slide que mostra o que a fala descreve trabalha a favor. A escolha entre os dois se faz no material, e ela muda a percepção de domínio.

Cada tela com um trabalho
A ordem do trabalho

Onde o treino de palco alcança, e onde ele chega tarde.

Voz, postura, respiração e gesto são treináveis, e o treino melhora a entrega. O que a ordem do trabalho recomenda é começar uma casa antes: pelo material.

Uma estrutura torta consome o treino de entrega

Uma fala com o dobro do conteúdo para o tempo disponível vai correr, e o gesto trabalhado corre junto. O treino de entrega rende quando ele opera sobre uma fala já dimensionada, com ordem decidida e abertura escolhida.

A revisão de material responde em dias

Cortar, reordenar e reescrever a abertura são tarefas de mesa, e o efeito aparece na apresentação seguinte. O repertório de sala, que é a outra metade do ofício, se acumula por exposição repetida e leva mais tempo. A separação por prazo, camada a camada, está detalhada aqui.

A palavra carisma some do vocabulário quando o material é aberto

Em mesa de revisão, o que aparece são frases longas demais, um bloco que devia ser o segundo e chegou em sexto, e uma abertura protocolar. Todas essas observações se fazem com o documento na tela, e é lá que elas se resolvem.

Perguntas

O que costumam perguntar sobre carisma no palco.

Carisma se aprende?

O que a plateia atribui a carisma se decompõe em decisões que se ensinam: como começa a fala, o que entra e o que sai, quanto tempo cada bloco recebe, para onde vai o olho e qual a função de cada slide. A palavra carisma costuma ser o nome que se dá ao conjunto depois que ele funciona.

Preciso mudar minha personalidade para prender uma plateia?

Na preparação de porta-vozes médicos, as mudanças que mais alteram o resultado acontecem no material e na estrutura, antes da sala. O jeito de falar permanece o da pessoa. Palestrantes de temperamento oposto sustentam a mesma estrutura com resultados parecidos.

Por que os cursos de oratória insistem em voz, postura e gesto?

Voz, postura e gesto são a parte visível da entrega, e são treináveis. O que costuma ficar de fora desse treino é a decisão anterior: o recorte do conteúdo, a ordem dos blocos e a primeira frase. Quando a estrutura está torta, o gesto trabalhado sustenta uma fala que já perdeu a plateia.

O que muda mais rápido em uma apresentação?

A abertura e o recorte de conteúdo. Na preparação de porta-vozes médicos, o trecho que mais decide o resto da fala são os primeiros trinta segundos, e o volume de conteúdo por minuto define se a fala vai ser corrida. As duas se resolvem em mesa, com o material aberto, antes de qualquer ensaio de palco. Isso vale como observação de prática.

O estudo

A palavra carisma cobre cinco decisões, e a aula delas ficou de fora.

Vinte currículos de medicina lidos na fonte oficial de cada universidade, com metodologia e datas de coleta declaradas.

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Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.