Talk de Midas Pharma · A causa e o sintoma

Oratória ou roteiro: o que resolve primeiro

O roteiro vem primeiro, e a ordem é o que decide o resultado. A oratória trabalha a entrega: voz, respiração, presença, uso do palco. O roteiro trabalha o que se entrega: o que entra, em que ordem e para que a plateia leve embora. Com a estrutura decidida, a técnica de palco tem o que carregar. Com a estrutura indecisa, a técnica administra o nervosismo e a apresentação seguinte repete a anterior.

Ver as duas disciplinas lado a lado
Dois ofícios que a mesma sala confunde

A entrega e o que se entrega.

Dimensão Oratória Roteiro
Objeto de trabalho como a fala sai: voz, ritmo, respiração, corpo, uso do espaço o que a fala carrega: seleção, ordem, hierarquia e destino da informação
Pergunta que responde como eu digo isto melhor o que exatamente eu vou dizer, e por quê
Sinal de que está faltando a sala entende e cansa a sala presta atenção e sai sem saber o que fazer
Efeito sobre o nervosismo alivia os sintomas enquanto a fala acontece reduz a causa, porque quem sabe o percurso tem menos a improvisar
O que resta na próxima vez a técnica melhora com repetição de palco a estrutura fica escrita e serve para a apresentação seguinte

As duas somam. A discussão é de ordem

O diagnóstico de sempre

Por que a voz leva a culpa por um problema que é de conteúdo.

O nervosismo é visível. A mão treme, a voz sai fina, o olhar procura o chão. A estrutura da fala é invisível: ninguém vê a decisão que o palestrante tomou sobre o que sacrificar. Diante de um sintoma visível e de uma causa invisível, a sala aponta para o que enxerga.

Por isso o conselho que o médico recebe a vida inteira é sobre a voz. Fale mais devagar, olhe para o fundo da sala, respire antes de começar. É conselho honesto e costuma ajudar por alguns minutos. O que ele deixa intacto é a razão pela qual aquela fala tinha slides demais e nenhuma pergunta no fim.

Existe um teste simples que separa as duas coisas. Pergunte a alguém que apresenta bem e a alguém que apresenta mal a mesma coisa: o que a plateia precisa fazer depois de ouvir você? Quem responde em uma frase costuma ter um problema de entrega, que se trabalha com técnica. Quem hesita tem um problema de roteiro, e nenhuma técnica de palco o resolve.

O nervosismo é o sintoma mais visível de uma fala que ainda não foi decidida.

O teste de trinta segundos

Três sinais que dizem onde está o seu problema.

Sinal 1

A frase do destino

Diga em uma frase o que a plateia deve fazer, pensar ou decidir depois de ouvir você. Quem hesita aqui tem a fala inteira em aberto, porque o destino é o que organiza tudo o que vem antes dele.

Sem destino declarado, toda ordem parece igual
Sinal 2

A volta depois da interrupção

Alguém interrompe no meio com uma pergunta longa. Você responde e volta. Quem reencontra o fio em segundos tem estrutura na cabeça. Quem precisa procurar no slide anterior está apoiado no material, com o percurso ainda na tela.

A estrutura é o que sobra quando o roteiro sai da tela
Sinal 3

O slide que fala junto

Olhe para o seu slide mais cheio e leia o que está escrito. Se a sua boca diz aquilo, a plateia está recebendo a mesma informação duas vezes e escolhendo uma. É o sinal mais fácil de ver e o mais rápido de corrigir.

O slide que repete a fala compete com ela
A pergunta que chega junto

Treinamento de oratória resolve slide ruim?

Essa pergunta aparece toda vez que alguém tenta separar as duas disciplinas, e a resposta curta é que raramente resolve. O slide sobrecarregado costuma ser consequência de roteiro indeciso: quando a ordem das ideias segue em aberto, o slide vira o lugar onde o palestrante guarda tudo o que teme esquecer. Trabalhar respiração e projeção em cima desse slide produz uma leitura em voz alta mais firme do mesmo depósito.

Com o roteiro decidido, o slide muda de função. Ele para de servir de apoio de memória para o palestrante e passa a servir a plateia, com uma ideia por tela e uma imagem que soma à fala. É o que chamamos de terceira voz: a fala diz uma coisa, o visual diz outra, e as duas juntas dizem mais do que cada uma sozinha.

Se o seu ponto de dor está no material, a peça sobre como parar de ler o slide trata do assunto inteiro, e a apresentação científica mostra como isso se aplica sem perder rigor de dado.

A nossa posição, declarada

Nós entramos pelo conteúdo.

O Talk de Midas, o nosso programa de speaker training, trabalha a causa antes do sintoma. A sessão começa pelo roteiro da fala, segue para a identidade de quem está falando, passa pelos slides e só então chega ao palco. A ordem é deliberada.

As escolas de oratória fazem um trabalho legítimo e antigo, e muita gente melhora com elas. A diferença de método é onde cada uma começa. Quando alguém nos diz que já treinou e continua travando, quase sempre o que faltou foi decidir o conteúdo antes de treinar a entrega.

A ordem do trabalho
  • O roteiro em uma folha, antes de qualquer slide
  • A identidade de quem fala, para a fala ter dono
  • O visual reconstruído sobre o roteiro decidido
  • A subida ao palco, com a estrutura já de pé
Perguntas

O que costumam perguntar.

Oratória ou roteiro: o que resolve primeiro?

O roteiro. Quando a estrutura da fala está decidida, a técnica de palco tem o que carregar e o ganho aparece rápido. Quando a estrutura segue indecisa, a técnica administra o nervosismo enquanto a plateia continua sem entender o que precisa fazer com a informação. A ordem que recomendamos é conteúdo primeiro, entrega depois.

Então treinamento de oratória não serve para nada?

Serve, e serve muito, quando entra no momento certo. Respiração, projeção, presença e uso do espaço são ofícios reais e melhoram a experiência de quem assiste. O que a oratória sozinha deixa em aberto é a decisão sobre o que entra na fala, em que ordem e com que finalidade. Essa decisão é anterior, e é ela que costuma estar faltando quando alguém diz que já treinou e não mudou.

Treinamento de oratória resolve slide ruim?

Raramente. O slide ruim quase sempre é um sintoma de roteiro indeciso: quando a ordem das ideias não está resolvida, o slide vira depósito de tudo que o palestrante teme esquecer. Trabalhar a voz sobre esse slide melhora a leitura em voz alta do mesmo depósito. O caminho que funciona é decidir o roteiro e, com ele decidido, reconstruir o slide como uma terceira voz que soma.

Como eu sei se o meu problema é roteiro ou oratória?

Três sinais ajudam a separar. Se você não consegue dizer em uma frase o que a plateia deve fazer depois de ouvir você, é roteiro. Se uma interrupção no meio faz você perder o fio e não achar o caminho de volta, é roteiro. Se o seu slide diz exatamente o que a sua boca diz, é roteiro. Quando os três estão resolvidos e ainda assim a sala não acompanha, aí a entrega merece atenção dedicada.

Um médico que fala bem ainda precisa de roteiro?

Sim, e ele costuma ser quem mais ganha. Quem já tem desenvoltura no palco chega mais longe com a mesma hora de trabalho, porque a estrutura entra em cima de uma entrega que já funciona. Costuma acontecer de a fala ficar mais curta e passar a terminar num pedido claro, sem que a pessoa mude o jeito de falar.

Isso vale para apresentação científica, com dado e método?

Vale, e o rigor não entra em conflito com a estrutura. O dado continua o mesmo, a metodologia continua a mesma e a revisão segue com as áreas responsáveis. O que muda é a ordem em que a informação aparece, o que abre, o que fica em reserva para a discussão e qual é a pergunta que a plateia leva embora.

A conversa

Trinta minutos para descobrir onde o trabalho trava.

A Anamnese Estratégica é uma conversa de trinta minutos sobre a apresentação que você tem pela frente. Saímos dela com o diagnóstico de onde o trabalho rende mais, seja no roteiro, no material ou no palco.

Agendar a Anamnese Estratégica
Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.