Talk de Midas Pharma · O corredor

Como apresentar um pôster em congresso

A sessão de pôster é o único formato em que é preciso ser abordado. Sem palco, sem horário de fala e sem apresentador, o preparo tem três partes: o painel desenhado para três distâncias de leitura, três falas prontas de trinta segundos, dois minutos e dez minutos, e a posição do corpo no corredor.

Ver as três falas
O preparo que resolve a sessão inteira

Três falas, três durações.

Numa sessão de pôster ninguém pergunta quanto tempo você tem. O tempo é decidido pela pessoa que parou, e ele muda a cada conversa. Ter as três versões prontas resolve o improviso.

30 segundos

A fala de corredor

Uma frase sobre o que você investigou, uma sobre o que encontrou e uma sobre por que isso importa para quem está ouvindo. É a única que a maioria das pessoas vai ouvir, e é a que decide se elas ficam.

2 minutos

A versão completa

Pergunta, desenho do estudo, resultado principal e a limitação mais relevante. A limitação dita por você, antes de perguntarem, é o que separa o trabalho apresentado do trabalho defendido.

10 minutos

A conversa de interesse real

Aqui entram método, dados secundários, o que você faria diferente e o que vem depois. Esta fala é quase toda pergunta e resposta, e ela raramente acontece mais de duas ou três vezes por sessão.

A ordem de escrita importa. Escreva a de trinta segundos primeiro, e expanda a partir dela. Quem começa pela versão de dez minutos e tenta encurtar costuma terminar com uma versão curta que é a longa falada rápido.

O objeto

Um pôster se lê em três distâncias.

01 De longe, no corredor. O título e o achado. Quem passa lê duas linhas e decide se para. Título que anuncia o resultado converte mais parada do que título que anuncia o método.
02 De perto, parado em frente. O resultado principal com a imagem que o sustenta. Um gráfico legível vale mais do que quatro, e a legenda precisa dizer a conclusão em vez de descrever os eixos.
03 Encostado, em conversa. Método, amostra, limitações e referências. Esta camada existe para quem já se interessou, e ela pode ser densa sem prejudicar as outras duas.

O erro mais caro do pôster acadêmico é tratar as três distâncias como uma só, com o mesmo corpo de texto do começo ao fim. Quem faz isso escreve para a terceira distância e perde as duas primeiras, que são as que trazem gente.

A parte que ninguém prepara

Onde ficar, o que dizer primeiro, como fechar.

Onde ficar de pé

Ao lado do painel, um passo afastado, com o corpo voltado para o corredor. Ficar em frente bloqueia a leitura e obriga a pessoa a pedir licença antes de olhar. Sentar atrás com o celular na mão comunica, sem uma palavra, que ali não há conversa disponível.

O que dizer quando alguém para

Uma pergunta curta: se a pessoa trabalha com aquele tema, se aquele desfecho aparece na prática dela. A pergunta faz duas coisas ao mesmo tempo. Devolve o controle a quem parou e diz a você qual das três falas usar.

Como terminar

Toda conversa boa merece um próximo passo combinado: o resumo por e-mail, o contato trocado, o dado completo enviado depois. A sessão de pôster rende no que acontece na semana seguinte, e isso depende de alguém ter proposto a continuação.

A sessão de pôster é uma das poucas horas do congresso em que se conversa com pares um a um, sem palco e sem relógio. É por isso que ela merece preparo.

Se o incômodo do formato for anterior à técnica, e ele costuma ser, a peça sobre o palco dividido trata do que acontece quando a legitimidade de estar ali deixa de vir da programação.

Perguntas

O que costumam perguntar sobre sessão de pôster.

Como se apresenta um pôster em congresso?

Com três falas prontas, de trinta segundos, dois minutos e dez minutos, e com o pôster desenhado para ser lido em três distâncias. O apresentador fica de pé ao lado do painel, ligeiramente afastado para não bloquear a leitura, e abre a conversa com uma pergunta curta quando alguém para. A sessão de pôster é o único formato de congresso em que é preciso ser abordado em vez de ser anunciado.

O que fazer quando ninguém para no meu pôster?

Primeiro, o dado bruto: a maior parte das pessoas passa por quase todos os painéis sem parar em nenhum, e isso vale igualmente para trabalhos excelentes. Depois, o que está na sua mão: o título em linguagem de achado em vez de título de método, o resultado visível a três metros, e a sua posição no corredor. Ficar sentado atrás do painel, olhando o celular, é o sinal mais eficiente de que ali não há conversa disponível.

O que deve ficar visível de longe no pôster?

O achado. Quem caminha pelo corredor lê o título e uma linha, e decide nesse intervalo. Um pôster que anuncia o resultado no topo, em poucas palavras e com uma imagem que sustenta o resultado, converte mais paradas do que um pôster que abre pela metodologia. O método continua ali, na distância de leitura de perto, para quem se interessou.

Como abordar alguém sem parecer que estou vendendo?

Com uma pergunta em vez de uma oferta. "Você trabalha com isso?" ou "esse desfecho é o que você usa na sua prática?" abre conversa e devolve o controle a quem parou. A abertura que costuma afastar é a que começa a expor o trabalho antes de saber quem está ouvindo, porque ela transforma a pessoa em plateia sem que ela tenha escolhido isso.

Vale a pena preparar tanto para uma sessão de pôster?

O preparo é curto e a sessão é uma das poucas do congresso em que se conversa com pares um a um, sem palco e sem tempo cronometrado. Boa parte das colaborações começa numa dessas conversas. As três falas levam menos de uma hora para escrever e servem depois em qualquer outro formato, do corredor à mesa redonda.

Próximo passo

Escreva a fala de trinta segundos hoje.

Uma frase sobre o que você investigou, uma sobre o que encontrou, uma sobre por que isso importa. Ela serve no corredor do congresso, no elevador e na mesa de almoço, e é a base das outras duas. O mapa dos formatos traz o preparo comum às sete salas.

Ver o mapa dos formatos

Para quem prepara um time inteiro de apresentadores antes de um congresso, a Anamnese Estratégica é uma conversa de 30 minutos sobre o caso específico.

Fernando Palacios Fundador da Storytellers, primeira empresa de storytelling do Brasil, e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.