Talk de Midas Pharma · O simpósio transmitido

Simpósio satélite híbrido: as duas plateias da mesma hora

Um simpósio satélite transmitido mantém o desenho do formato, com patrocinador, conteúdo submetido antes do congresso e três ou quatro falas em sequência na mesma sessão, e acrescenta uma plateia que entrou por um link. Essa plateia precisa de alguém que a represente dentro da sala, e o posto se nomeia antes da data. Seis decisões de quem fala e de quem desenha a sessão mudam de resposta por causa disso.

Ver o que separa as duas plateias
O que a transmissão acrescenta

A mesma hora, dois compromissos diferentes.

O simpósio satélite tem formato próprio, com quem patrocina a sessão, quem apresenta com independência sobre o conteúdo e o congresso que aprova a programação. Esse desenho, com a fronteira do preparo e o cronograma de submissão, está descrito na peça sobre preparação para simpósio satélite. A transmissão acrescenta uma pergunta que a sessão presencial dispensa: quem está do outro lado, e sob que condições.

A plateia da sala chegou depois de passagem, hospedagem e dias fora da agenda clínica. Ela escolheu esta sessão contra as outras do mesmo horário, sentou no meio de uma fileira e sabe que sair custa atravessar joelhos alheios diante de quem ficou. Esse custo trabalha a favor de quem fala, porque ele segura a sala por um tempo contínuo. Quando uma sala de congresso esvazia mesmo assim, o padrão do esvaziamento carrega a explicação, e a peça sobre o auditório que esvazia no simpósio mostra como testar cada hipótese.

A plateia da tela chegou por um clique. Ela abriu a sessão entre dois compromissos, com o navegador cheio de abas e o telefone ao lado, e entrou sem abrir mão de nenhuma outra coisa do dia. Sair custa um movimento de dedo, sem testemunha e sem constrangimento. A decisão de continuar se refaz várias vezes dentro da mesma hora.

O desenho de sessão herdado do congresso presencial trata a transmissão como cópia da sala: mesma duração, mesma ordem, mesmo material, com uma câmera no fundo do auditório. As duas plateias recebem a fala idêntica e respondem a contratos de atenção distintos, e é nesse ponto que a sessão perde uma delas.

O custo de sair é a variável que separa as duas plateias, e ela governa quase todas as decisões seguintes.

O inventário

O que cada plateia pagou para estar ali, e o que ela devolve.

A plateia da sala

Custo de entrada alto

Deslocamento, hospedagem e dias fora do consultório já foram pagos antes de a sessão começar. A escolha por esta sala aconteceu uma vez, na porta, contra as outras sessões do mesmo horário. O retorno chega pelo corpo: a fileira que se inclina, o riso curto, o silêncio que segue uma afirmação forte, o telefone que sobe. Quem fala lê essa sala enquanto fala e corrige o ritmo com o que lê.

Escolheu uma vez, e a escolha segura a cadeira
A plateia da tela

Custo de saída zero

A entrada custou um clique num link que chegou por e-mail. A sessão divide a tela com o trabalho do dia, e a escolha por continuar se refaz sozinha a cada poucos minutos. O retorno chega em texto e em contagem: as perguntas escritas, o tempo de permanência, o movimento na caixa de comentários quando uma afirmação pega. Esse retorno alcança quem opera a transmissão antes de alcançar quem fala, o que faz da ponte entre os dois um posto da sessão.

Escolhe de novo a cada bloco
O que muda na prática

Seis decisões da fala, com resposta dupla.

A lista abaixo é a que vai por escrito para quem fala, e quem desenha a sessão é quem a escreve.

A primeira frase

Na sala, a plateia já sentou e concede um tempo de aquecimento: a apresentação do currículo, o agradecimento a quem patrocina, o roteiro da sessão. Na tela, esse mesmo tempo é o intervalo em que a pessoa decide se fica. Uma primeira frase que nomeia a pergunta da sessão paga as duas de uma vez: a sala recebe o mapa do que vem, e quem entrou pelo link descobre no ato o que está em jogo. O agradecimento entra logo depois, quando a sessão já tem dono.

O endereço do olho

A câmera e a sala disputam o mesmo olhar, e quem fala tem um só. Percorrer a plateia inteira aparece, na transmissão, como olhar para o lado durante a hora toda. Falar para a lente aparece, na sala, como falar para o fundo vazio do auditório. O combinado que resolve isso se escreve antes: alguns momentos pertencem à câmera, e são poucos. A frase que abre, a afirmação central de cada bloco, a pergunta dirigida a quem acompanha de casa e o fecho. O restante pertence à sala. Marcados no roteiro, esses pontos transformam a câmera num lugar da sessão, com uma pessoa sentada nela.

O tempo por bloco

A duração se decide pelo próprio bloco: uma ideia inteira, com abertura, desenvolvimento e um ponto final audível. Números universais circulam bastante nesse assunto, e a Storytellers mantém a régua no que consegue medir, sem endossar minutagem de terceiro. A peça sobre quantos minutos de fala a plateia aguenta na tela trata dessa recusa por inteiro. Na sala, o bloco longo se sustenta pelo custo de sair. Na tela, ele precisa terminar antes do ponto em que continuar vira esforço de vontade. Entre um bloco e outro entra uma troca de estímulo: uma pergunta devolvida à sala, um caso clínico, um dado exibido, uma mudança de voz. A troca renova o contrato com quem está em casa e dá respiro a quem está na cadeira.

A função do slide quando ele vira miniatura

Projetado atrás de quem fala, o slide ocupa a parede, e a plateia o lê de longe com a pessoa em primeiro plano. Transmitido, ele muda de posto. Em muitas transmissões o material toma o quadro inteiro e quem fala vira um retângulo pequeno no canto, ou o inverso acontece, com o slide reduzido a uma miniatura ao lado do rosto. Nas duas situações, o que só se lê ampliado desaparece. Uma afirmação legível por slide, o gráfico com a leitura dita em voz alta e o dado citado com a fonte na própria página resolvem as duas exibições na mesma passada. A régua inteira de desenho do slide para a tela pequena está aberta em como prender a atenção em um webinar médico. Quem acompanha de casa fica sem a opção de se inclinar para a frente.

A pergunta, e por onde ela chega

Na sala, a pergunta vem com corpo: alguém levanta a mão, fica de pé, e o auditório ouve o tom antes de ouvir o conteúdo. Na transmissão, ela chega escrita, muitas vezes sem nome, e espera numa fila que alguém precisa ler. Isso muda três coisas de uma vez. Quem está em casa pergunta mais cedo e com menos cerimônia. A pergunta escrita chega crua, sem a suavização que a voz aplica. E a plateia da sala só descobre que aquela pergunta existe quando alguém a lê em voz alta. Ler a pergunta inteira antes de responder, dizer de onde ela veio e responder para a câmera quando ela veio de lá são gestos curtos que fazem a plateia remota existir dentro da sala.

Quem faz a ponte

A sessão híbrida tem um posto de trabalho que a sessão presencial dispensa: alguém encarregado de representar a plateia da tela dentro da sala. Quem apresenta sustenta a fala e lê o auditório ao mesmo tempo, e a caixa de perguntas fica fora do alcance enquanto isso. O combinado se escreve antes da sessão. Quem acompanha o que chega por escrito, em que momentos essa pessoa interrompe, como ela sinaliza para o palco e quantas perguntas entram por bloco. Em sessão com três ou quatro falas seguidas, o posto costuma caber a quem modera, e o combinado vale para todos os palestrantes daquela sessão.

O que se decide antes, e o que se decide na hora

Metade dessas decisões cabe no desenho da sessão, semanas antes, junto do cronograma de submissão dos slides. A outra metade acontece com a sessão rodando, e ela rende quando as regras já estão combinadas. A separação abaixo é o que costuma ir por escrito para quem organiza a sessão. O trabalho de preparo que sustenta essas decisões, quando ele é contratado como serviço próprio, está descrito na peça sobre KOL training.

O que o desenho da sessão decide antes e o que se decide com a sessão rodando
Decidido antes, no desenho da sessão Decidido na hora, com a sessão rodando
A ordem dos blocos e o ponto exato de cada troca de estímulo O corte, quando o bloco anterior avançou sobre o tempo do seguinte
Quem faz a ponte com a plateia remota, e como essa pessoa sinaliza Quais perguntas escritas entram no intervalo do próximo bloco
A versão dos slides que sobrevive à tela pequena O número que se lê em voz alta quando a miniatura engole o gráfico
Os momentos da fala que pertencem à câmera O instante de devolver o olho para a sala depois de responder à tela
A regra de leitura das perguntas que chegam por escrito A pergunta que merece resposta longa diante das duas plateias
A promessa que a abertura faz às duas plateias O ponto em que essa promessa se paga, antes do fim do tempo
Perguntas

O que costumam perguntar sobre a sessão híbrida.

O que muda num simpósio satélite quando ele é transmitido?

A sessão passa a ter duas plateias na mesma hora, com compromissos diferentes. Quem está na sala pagou deslocamento e escolheu aquela sessão contra as outras do mesmo horário, e o custo de sair segura a cadeira. Quem acompanha pela transmissão entrou com um clique, divide a tela com o trabalho do dia e refaz a escolha de continuar a cada bloco. O formato do simpósio satélite segue o mesmo, com quem patrocina, quem apresenta e quem aprova a programação. A transmissão acrescenta uma pergunta de preparo: como atender às duas plateias com uma fala só.

Como o palestrante decide entre olhar para a câmera e olhar para a sala?

Por combinado escrito antes da sessão. Alguns momentos pertencem à câmera, e são poucos: a frase que abre, a afirmação central de cada bloco, a pergunta dirigida a quem acompanha de casa e o fecho. O restante da fala pertence à sala. Marcados no roteiro, esses pontos transformam a câmera num lugar da sessão, com uma pessoa sentada nela, e a plateia remota percebe que foi endereçada em algum momento daquela hora.

Quem cuida da plateia remota durante o simpósio híbrido?

Uma pessoa nomeada antes, quase sempre quem modera a sessão. Ela acompanha o que chega por escrito, escolhe o que entra em cada intervalo de bloco, lê a pergunta inteira em voz alta e avisa quem está no palco de um jeito combinado. A operação técnica da transmissão fica com quem produz o evento. O trabalho desse posto é de conteúdo: fazer a plateia da tela existir dentro da sala.

Os slides da sessão presencial servem para a transmissão?

Servem depois de uma revisão de legibilidade. Projetado na parede, o slide é lido de longe, com a pessoa em primeiro plano. Transmitido, ele divide o quadro com o rosto de quem fala e costuma aparecer reduzido. Uma afirmação legível por slide, o gráfico com a leitura dita em voz alta e o dado citado com a fonte na própria página resolvem as duas exibições de uma vez.

O método

O desenho da preparação está aberto, etapa por etapa.

As cinco etapas do método, do roteiro em uma folha ao ensaio, com o que cada uma entrega.

Ver o método em cinco etapas

O programa inteiro está em Talk de Midas, o speaker training da Storytellers. Ou siga para a próxima leitura desta trilha: como treinar porta-voz para transmissão ao vivo.

Quando a conversa chegar a uma sessão específica, com data, formato e palestrantes definidos, a Anamnese é a porta de entrada.

Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.