Talk de Midas Pharma · O diagnóstico

O roteiro que a IA fez ficou genérico

A explicação está no material com que a ferramenta aprendeu. Ela foi treinada em texto público, então devolve com precisão o que é comum a tudo o que já se escreveu sobre aquele tema. O que faz uma apresentação médica valer ficou fora das publicações: o caso que você acompanhou, a decisão tomada antes de a diretriz existir. Três testes rápidos confirmam o diagnóstico, e o ajuste é editorial.

Fazer os três testes
A explicação que costuma faltar

A ferramenta entrega a média, e ela entrega bem.

Quem chega a esta página costuma ter feito o mesmo caminho: pediu o roteiro, leu, achou o texto correto, achou o texto sem graça e voltou para refinar o comando. Refinou duas, três vezes. O texto melhorou de acabamento e continuou soando como qualquer outro sobre aquele assunto.

Esse caminho é razoável, porque a única alavanca visível é o comando. E ele custa tempo, porque a alavanca certa está em outro lugar.

Sistemas de IA generativa aprendem com o que já foi publicado. O que eles devolvem com mais confiança é justamente o que aparece repetido em muitos textos sobre o mesmo tema, ou seja, o consenso. Isso é uma qualidade quando você precisa do consenso organizado em minutos, e é a origem do incômodo quando você precisa do que está fora dele.

O material que diferencia uma apresentação médica costuma estar exatamente na faixa que nunca foi publicada: a série pequena que não virou artigo, a conversa com o paciente que mudou sua leitura de um exame, o erro que você corrigiu e nunca contou em congresso. Esse material chega ao roteiro por um caminho só, que é você decidir colocá-lo lá.

O comando ajusta recorte, tom e formato. O que só existe em você entra por decisão editorial, e é ela que tira o roteiro da média.

A confirmação

Três testes que levam minutos.

Faça os três com o roteiro aberto na frente. Eles servem para confirmar o diagnóstico antes de você gastar mais uma rodada de comando.

  1. O teste da troca de nome. Leia o roteiro imaginando outro palestrante do mesmo congresso no seu lugar. Se ele serviria inteiro para essa outra pessoa, o texto está descrevendo o tema. Uma apresentação descreve o tema visto de onde você está, e essa diferença aparece nas primeiras linhas.
  2. O teste do que só você sabe. Percorra o roteiro procurando uma única informação que só você poderia ter trazido: um caso que acompanhou, uma série que contrariou a expectativa, uma conduta que mudou depois de um desfecho. Quando a busca volta vazia, a explicação do incômodo está encontrada.
  3. O teste da plateia nomeada. Pergunte ao texto quem está na sala. Um roteiro escrito para uma plateia específica trata diferente o residente, o par da mesma especialidade e o clínico geral que veio pela sessão seguinte. Texto gerado costuma falar com todos ao mesmo tempo, porque ele não foi informado de quem foi convidado.
O ajuste

Três trocas que tiram o roteiro da média.

Troca 1

O exemplo típico sai, o seu caso entra

É a troca de maior efeito e a mais rápida de fazer, porque o material já está com você. O caso não precisa ser raro, precisa ser seu: a plateia reconhece na hora a diferença entre um exemplo lido e um exemplo vivido.

Efeito imediato, custo baixo
Troca 2

A abertura vira a dúvida daquela sala

Textos gerados abrem pelo contexto do tema, o que funciona como enciclopédia. Abrir pela pergunta que aquela plateia tem na segunda-feira muda a atenção de toda a fala que vem depois.

A primeira meia página decide o resto
Troca 3

A ênfase se concentra

O texto gerado distribui peso parecido entre os pontos. Escolha o que a plateia precisa levar embora e dê a ele o dobro do espaço dos outros. O resto vira apoio e cabe no corredor.

Concentrar é decidir o que a sala leva
Perguntas

O que costumam perguntar sobre o roteiro genérico.

Por que o roteiro que a IA fez ficou genérico?

Porque a ferramenta aprendeu com texto já publicado e devolve com precisão o que é comum a tudo o que se escreveu sobre aquele tema. O material que faz uma apresentação médica valer é o que ficou fora das publicações: o caso que você acompanhou, a decisão tomada antes de a diretriz existir, a dúvida específica daquela plateia. Três testes rápidos confirmam o diagnóstico, e o ajuste é editorial.

O problema foi o meu prompt?

O comando melhora o recorte, o tom e o formato, e vale refinar. O que ele não alcança é informação que não existe em nenhum texto público, e é justamente esse material que deixa o roteiro com a sua marca. Comando bem escrito devolve um genérico mais bem-acabado sobre o mesmo tema.

Como faço o roteiro soar como eu?

Devolvendo ao texto o que só existe em você. Troque os exemplos típicos pelos seus casos, refaça a abertura pela pergunta que aquela sala realmente tem, redistribua a ênfase para o ponto que a plateia precisa levar embora e leia em voz alta para achar as frases que você nunca diria. O que sobra costuma ser reconhecível.

Vale a pena continuar usando a ferramenta depois disso?

Vale, com o lugar dela definido. Ela é rápida no levantamento, na organização do consenso e na limpeza de redação, que são etapas caras em agenda médica. O trabalho de decidir o recorte e devolver o material clínico continua sendo seu, e ele fica mais fácil quando a estrutura já está de pé.

Quanto tempo leva para reescrever um roteiro genérico?

A parte que mais rende costuma levar uma sessão de trabalho concentrada: trocar exemplos, refazer abertura e redistribuir ênfase. É menos tempo do que escrever do zero e mais tempo do que revisar por cima, e é essa diferença que separa o material apresentável do material que a plateia lembra.

Isso acontece com todas as ferramentas de IA?

O padrão aparece em sistemas de IA generativa treinados em texto público, que é a arquitetura das ferramentas mais usadas hoje. O resultado varia entre ferramentas e entre versões da mesma ferramenta, e o teste é rápido de repetir com o seu próprio material.

A conversa

A Anamnese Estratégica.

Trinta minutos sobre a apresentação que você tem pela frente, com os três testes aplicados ao seu roteiro. Serve inclusive para descobrir que ele já está de pé.

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Fernando Palacios Fundador da Storytellers e 2x World's Best Storyteller, World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018.